Aulas de música na pandemia

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Como o ensino da música está funcionando meio ao isolamento social

Desde o início da pandemia podemos perceber a preocupação geral com a educação escolar de crianças e adolescentes e com a saúde mental das pessoas. Aliás, muitos artigos e estudos estão sendo realizados em torno desses assuntos. Hoje, no entanto, gostaríamos de te chamar pra pensar sobre o ensino de música durante o isolamento social.

O blog entrevistou educadores de música por meio de uma pesquisa escrita, para entendermos um pouco sobre os desafios do ensino de música nesse período.

Reprodução: Shutter Stock

Adaptação

Depois da suspensão das aulas presenciais, muitas escolas de música e professores particulares passaram por um período de planejamento e adaptação para oferecer as aulas de maneira online. Com isso, a rotina de trabalho de professores e a rotina de estudos de aprendizes mudaram bastante.

O professor Erivelton, da Academia Soul, que dá aulas de violão e bateria há 10 anos, relata desafios no engajamento de estudantes. Mesmo mantendo as aulas de forma online ele conta que houve muita desistência:

“Tivemos grandes desafios, principalmente com a questão da motivação e empenho, nossa rotina se alterou para que os alunos permanecessem sem evasão! Nos adaptamos para o sistema online, porém muitos de nossos alunos, encontraram dificuldades mesmo assim!”

Como sabemos, era um tanto extraordinário fazer aulas online antes da pandemia e muitas pessoas estão criando esse hábito somente agora. No entanto, a maior preocupação para a professora Lisane, da escola Musicallis, é a adaptação das crianças a este contexto: 

“Na sua casa, eles têm mais distrações e às vezes fica mais difícil manter a concentração do aluno na video-chamada.”

A professora, que dá aula há mais de 20 anos de musicalização infantil ressalta a necessidade de “preparar aulas ainda mais dinâmicas e envolventes para nossos alunos, especialmente os menores, para mantê-los focados na aula toda”.

Contudo, por mais que hajam desistências e dificuldades no ensino de música online, houve também uma reação positiva por parte das pessoas entrevistadas.

Os benefícios

É possível observar alguns benefícios das aulas por vídeo-chamada. A professora de canto Jessica Waltrick, por exemplo, demonstra entusiasmo com a nova experiência:

“[…] a facilidade de não ter que se deslocar de casa faz com que seja muito mais proveitosa a aula e que não tenha empecilhos, como atraso por conta do trânsito, chuva, dificuldade em encaixar horário. Além disso, para as aulas de canto, ficou muito mais fácil de os alunos se tornarem independentes no estudo, permitindo que se dediquem mais fora da aula, assim gerando um desenvolvimento vocal muito mais rápido e eficaz. Eu particularmente estou gostando muito disso e pretendo continuar com as aulas online o máximo de tempo que puder.”

Além disso, outra facilidade é ressaltada por Vic, professore de baixo e teoria musical: com as aulas online, professores não precisam mais dar aulas somente à pessoas que moram na mesma cidade:

“[…]acredito que uma das vantagens se encontra no fato de não precisar de um deslocamento para algum lugar, tanto pra mim quanto para es alunes. Outra vantagem é que a aula online pode abranger outras localidades pois tenho um aluno em Berlin e outro em Salvador, por exemplo.”

Vic Vilandez, aulas de baixo e teoria musical. Fone: (41) 99887-0693 ou pelo Instagram: @vicvilandez

Desafios

Por mais que não haja mais os empecilhos de locomoção, por ser algo novo pra muita gente, surgiram outras barreiras. Muitas delas parecem ser tecnológicas, como descreve Dimitri Heler, professor de produção musical na Accubee ao ser questionado sobre os obstáculos desse tipo de aula:

“A dificuldade das pessoas com as tecnologias, configurações e utilização de aplicativos. Mesmos os básicos como funções do google e video conferências tem seus problemas, pois a informática não é uma ferramenta pronta que você liga e funciona perfeitamente.[…]”

Outro fator comentado por Vic e Jéssica foi a questão do delay nas video-chamadas e os problemas de conexão de internet. Jéssica diz que essa questão teve de ser contornada para que as aulas funcionassem:

“[…] para a aula de canto uma das maiores dificuldades é o delay que existe na chamada, fazendo com que não seja possível tocar um exercício enquanto o aluno canta. Portanto, foi preciso adaptar totalmente a forma de passar exercícios e repertório para os alunos. Além disso, às vezes acontecem alguns problemas como conexão de internet lenta, tanto com os alunos quanto comigo mesmo, o que causa alguns atrasos na aula.

Desistência e procura

Ainda assim, entendemos que com a pandemia também surgiram dificuldades econômicas pra muitas pessoas. Este foi um fator levado em consideração pela professora Heliana Brand ao informar a oscilação no número de aprendizes:

“Eu perdi alguns alunos infelizmente, foi bem conversado com eles e a maioria foi por conta de renda. A aula de música pra muitos é feita como lazer, não é prioridade, eu entendo que na situação de renda apertada ela seja algo a se abrir mão.”

Porém, a professora também relata que depois de alguns meses de pandemia, pessoas tornaram a buscar suas aulas:

“Já nos últimos dois meses as pessoas voltaram a procurar, a minha quantidade de alunos voltou a crescer e acredito que se deu principalmente por estar tanto tempo dentro de casa e não ter uma previsão de quando isso virá a mudar. Os benefícios da prática da música são muitos e na época que estamos vivendo ela vem a ser muito útil.”

Realmente, a música e as artes tem se mostrado fundamentais para mantermos nossa saúde mental e motivação durante o isolamento.

Na pesquisa, observamos que algumas pessoas perderam alunes e outras ganharam. Isso se deve a vários fatores. O professor de produção musical, Dimitri Heler, acredita que foi principalmente o fator econômico que influenciou a queda no número de estudantes:

“Diminuiu, claro [a procura]. Temos vários motivos externos, como reduções de salários e perda de empregos. Mesmo facilitando no que foi possível houve perdas. […]”

Por outro lado, para professore Vic, foi o fato de várias pessoas estarem fazendo home office que as induziu a procurar suas aulas:

“No meu caso o número cresceu. Penso que muitas pessoas estão trabalhando em casa, o que pode ter ocasionado uma sobra de tempo na rotina e uma busca para algum hobbie.”


Apesar da situação

Seja por sobra de tempo, tédio ou o vislumbre de uma oportunidade (e condição financeira) para investir na educação musical e apesar de muitos desafios, algumas pessoas também encontraram vantagens e benefícios para continuarem ou até mesmo começarem a aprender um instrumento!

Qual é o seu estímulo ou a sua dificuldade para aprender música?

Espero que esse conteúdo possa ter contribuído de alguma forma na sua perspectiva. Obrigada por vir até aqui e até mais!


Contatos para aulas

  • Lisane Moreira da Escola Musicallis. Professora de piano, teclado, violão, canto e musicalização infantil. Contato: (41) 99921-8097 ou Facebook.com/escolamusicallis e Instagram: @escolamusicallis
  • Vic Vilandez é professore autônome e também colabora na Escola Fantástica. Dá aulas de baixo elétrico e teoria musical. Contato: (41) 99887-0693 ou pelo Instagram: @vicvilande
  • Erivelton Ferreira dos Santos dá aulas de violão e bateria. Atualmente trabalha na Academia Soul Instituto Musical. Contato: (41) 99757-8460 ou pelo Facebook Erivelton Ferreira e Instagram: @eriferreira_a

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